Pouso Alegre
Pequenas atitudes fazem grandes diferenças no meio ambiente Imprimir E-mail
Pequenas atitudes fazem grandes diferenças no meio ambiente
No que o material reciclável se transforma
A Atremar
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Talise Rafaele

M Talise Rafaele
Maria de Fátima é um exemplo de conscientização ambiental

Maria de Fátima é funcionária pública em Três Pontas, atualmente trabalha na área de saúde e, em 2002, quando trabalhava na Secretaria do Meio Ambiente, em uma visita ao aterro controlado da cidade, ela e o secretário municipal da época descobriram que havia 17 famílias trabalhando ali. Naquele momento decidiram criar uma associação de catadores na cidade. “O secretário deu os primeiros passos nas questões mais burocráticas e eu fiquei na retaguarda apoiando”, conta ela.


Foi criada, então, a Associação Trespontana de Catadores de Materiais Recicláveis (Atremar). Fatinha, como é conhecida na cidade, passou a trabalhar na administração da associação e começou a ver quanto material bom ia parar no lixo, coisas que poderiam ser reaproveitadas. Primeiro começaram a agregar valor aos livros, porque chegavam muitos livros e revistas novas na associação. “As pessoas leem e jogam no lixo. Aí eu passei a levar alguns para casa, colocava na balança, pesava e pagava para eles o preço do quilo”. Seu marido, José Raimundo, lhe perguntou o que era aquilo e, diante da sua explicação, ele lhe deu a ideia de criarem um sebo. Para se vender o livro e a revista, um quilo de papel misto saía a R$ 0,05. Eles passaram a vender cada revista a R$0,50 e o livro a R$1,00.


A partir daquela sugestão, ela começou a educar os doadores. Fez campanhas na rádio e no jornal impresso da cidade pedindo para doarem separadamente. O material foi valorizado e os próprios catadores passaram a selecionar e separar os mais conservados para a venda. O sebo foi montado na própria associação, em um cantinho simples, mas muito bem organizado. Tatiana de Brito Figueiredo é a atual administradora da Associação e quem cuida da organização do sebo. As revistas são classificadas pela marca e assunto e os livros são separados de acordo com autor e título. Além da organização na exposição desses materiais, também é feito todo um controle de entrada e saída de cada item no sebo.

 

Talise Rafaele
Acervo de livros e revistas do sebo da ATREMAR


Ao trabalhar juntamente com os catadores da associação, Fatinha começou a perceber quanta coisa poderia ser reaproveitada e passou a criar diversos produtos a partir destes materiais. A latinha de cerveja se transforma em acessório, do jornal se faz bandejas e outros produtos decorativos, a garrafa PET pode ser transformada em ímã de geladeira, a lata de massa de tomate vira um porta-trecos e o papelão, caixas decoradas. Estes são apenas alguns dos objetos que podem ser feitos do lixo facilmente encontrado nas casas. Ele se transforma em um objeto novo, gera renda e não agride mais a natureza.


Ela conta que, quando se aposentou, se viu com mais tempo de criar e, aí, se uniu a sua irmã, Anésia da Silva, e começaram a fazer diversos trabalhos com reciclagem. Hoje ela vende os produtos em feiras, faz demonstração em escolas, dá palestras sobre reciclagem e já chegou a ministrar cursos ensinando noções básicas de como transformar o lixo em um produto rentável. “O lixo gera renda, aumenta a vida útil do aterro e faz um bem enorme para o meio ambiente. É um trabalho muito gratificante por você saber que está colaborando com o meio ambiente e com pessoas menos favorecidas”, diz Maria de Fátima.



 


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